Sunbonnet Sue: a história de uma das personagens mais queridas do patchwork

Quem costura patchwork há algum tempo certamente já encontrou uma menina de vestido comprido, usando um grande chapéu que esconde seu rosto. Ela aparece passeando, cuidando das flores, carregando uma cesta, brincando ou simplesmente contemplando o jardim.
Essa menina é a Sunbonnet Sue, uma personagem que atravessou gerações e se tornou um dos desenhos mais reconhecidos do patchwork tradicional.
Mas de onde veio a Sunbonnet Sue?
A história começa no final do século XIX, quando meninas usando grandes chapéus — os sunbonnets — começaram a aparecer em ilustrações, cartões e livros infantis.
O chapéu tinha uma função bastante prática: proteger o rosto e o pescoço do sol. Mas, nas ilustrações, ele acabou criando uma característica que tornaria a personagem inesquecível: não vemos seu rosto.
No início do século XX, imagens de meninas com esse estilo ficaram especialmente populares nos Estados Unidos. Ilustradoras como Kate Greenaway e, posteriormente, Bertha Corbett Melcher ajudaram a popularizar personagens infantis com grandes chapéus e rostos escondidos.
Bertha Corbett publicou ilustrações conhecidas como Sun-Bonnet Babies, que fizeram enorme sucesso e contribuíram para que esse tipo de personagem entrasse no imaginário popular.

Não demorou para que aquelas pequenas figuras chegassem às mãos das mulheres que costuravam.
O formato era perfeito para o appliqué: vestido, chapéu, braços, sapatos e pequenos acessórios podiam ser recortados separadamente em diferentes tecidos.
Assim nasceu uma infinidade de blocos.
Sue podia estar regando o jardim, colhendo flores, carregando uma cesta, passeando com uma amiga ou realizando pequenas tarefas do cotidiano.
E cada mulher podia escolher seus tecidos e criar sua própria versão da personagem.
Talvez esteja aí uma das razões de a Sunbonnet Sue ter permanecido tão presente no patchwork por tantas décadas.
Existe algo especialmente bonito na Sunbonnet Sue.
Ela não precisa de olhos, boca ou expressão para transmitir sentimento.
Seu corpo inclinado, a posição do chapéu, um pequeno buquê nas mãos ou o movimento do vestido já são suficientes para contar uma história.
E talvez justamente porque não vemos seu rosto seja tão fácil colocar nossas próprias lembranças nela.
Ela pode nos lembrar uma menina da infância, uma avó, uma filha, uma amiga — ou até nós mesmas.

Sunbonnet Sue e a tradição do feito à mão
Ao longo do século XX, a personagem apareceu em colchas, mantas infantis, almofadas, painéis e inúmeros projetos de patchwork.
Os tecidos mudaram.
As cores mudaram.
As técnicas também evoluíram.
Mas Sue continuou ali, com seu grande chapéu e seu jeito delicado de atravessar jardins, casas e gerações.
Hoje podemos encontrá-la feita à máquina ou à mão, em projetos delicados ou bem country. E, para quem gosta das técnicas tradicionais, confeccioná-la utilizando aplicação com virada de agulha torna o trabalho ainda mais especial.
Cada pequena curva é construída devagar. Cada tecido encontra seu lugar. Cada ponto permanece quase invisível.
É o tipo de trabalho que nos lembra que patchwork não precisa ter pressa.
Por que ainda amamos a Sunbonnet Sue?
Talvez porque ela represente exatamente aquilo que muitas de nós buscamos quando sentamos para costurar.
Um pouco de calma.
Um pouco de memória.
O prazer de trabalhar com as próprias mãos.
E a possibilidade de transformar pequenos pedaços de tecido em algo que poderá permanecer por muitos anos.
E você, já costurou uma Sunbonnet Sue?
Conte para mim. Vou adorar conhecer a sua história. ❤️
Sylvia




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